
Não podia ser de outra maneira - rezam as Leis da Semelhança. Se Portugal está a sofrer uma Quadratura de Plutão ao Sol, Plutão teria de estar activo nos políticos de maior envergadura dos últimos pares de anos. Olhando para a ultima década, temos Mário Soares e Jorge Sampaio. Duas figuras distintas, do mais alto nível presidencial, que estão unidas, por um elo comum: o Socialismo.
Para quem não se lembrar a Revolução de Abril, teve duas senhas: uma às 23:00 horas do dia 24, com a canção "E depois do adeus" e outra, a final e comprovativa às 00:20 já do dia 25 de Abril, com a canção "Grândola Vila Morena". Se levantarmos um Mapa Horário para este último momento, deparamo-nos com um Ascendente a 23º 49´ de Sagitário, ponto Zodiacal esse que irá ser transitado por Plutão em 03 de Dezembro de 2005.
Por analogia ao que aconteceu nos EUA, país com Ascendente Sagitário no grau 12º28´ e que sofreu uma passagem de Plutão nesse mesmo grau em 11 de Setembro 2001. As conclusões que se podem daí tirar, tal como de qualquer Trânsito de Plutão sobre um Ascendente, são que a partir desse momento todo o conteúdo que sustentou um modelo, atingiu um limite de insustentabilidade.
Coincide ainda o facto de Saturno em Trânsito, ter já feito Conjunção sobre Saturno Progredido do Mapa do 25 de Abril - evento que corresponde ao Ingresso de Saturno no Signo de Leão e ao incremento dos fogos que têm assolado Portugal. Em verdade astrológica a programática institucional do 25 de Abril ou seja o modelo que esteve presente nos últimos 30 anos, não tem mais consistência prática.
É necessário reavaliar e reestruturar pelo que nos restam dois caminhos: se aproveitarmos a experiência do passado com a coragem de saber inovar e adaptar às novas realidades (um novo Saturno = um novo Sistema), temos pela frente o renascimento. Se simplesmente insistirmos em modelos caducos, resta-nos o inferno. É o que nos dizem as Leis da Semelhança. Existe portanto uma violência tremenda neste momento gerada pela oposição destas duas tendências, muito embora haja o acréscimo incomum de factores astrológicos impositivos que levam à mudança.
Mário Soares, o velho guardião recandidata-se sob os auspícios de Júpiter em Sextil com Mercúrio e com ele próprio. Típico para belos discursos e sem dúvida para polarizar metade da população. Resta ao Dr. Mário Soares enfrentar duas Quadraturas (ou resistências) uma de Saturno a Saturno e outra de Plutão a Marte. Pode ser um momento perigoso para Mário Soares - Plutão Marte, promete guerra a sério e a Quadratura de Saturno, não lhe dará em consciência muitas alternativas de fuga.
A Democracia, tem destas coisas, diria o "velho guardião" tal como o disse quando da reeleição do Sr. Bush. Sem dúvida que foi uma vitória da Democracia, mas como é que um despótico ditador que despreza os direitos humanos tem um novo mandato? A resposta é simples: assim o quis mais de metade da América, independentemente das palavras que esses eleitores seguiram, independentemente da sua consciência política, independentemente dos sonhos que perseguem, e até das manobras eleitorais.
Esta é a prova provada deduzida pelo Sr. Dr. Mário Soares que nem todas as decisões democráticas são as mais felizes. E todos nós no fundo e na prática sabemos isso.
Se olharmos agora par o Mapa de Jorge Sampaio, um Virgem de 24º40´ que sofrerá Quadraturas sucessivas de Plutão ao Sol entre 26 de Dezembro próximo e Outubro de 2006, com epicentro em Julho, percebemos a difícil transmissão de poderes, porque Portugal com o Sol em Peixes (Signo diametralmente oposto) sofre concomitantemente em Dezembro - uma Quadratura ao Sol. Mas, já em 13 de Novembro Jorge Sampaio sofre uma Quadratura de Plutão a Neptuno e Neptuno representa os sonhos e ideais que nós seguimos. Seja qual for, é uma decepção para Jorge Sampaio. É curioso, como se pode verificar no artigo anterior que a 16 de Novembro deste mesmo ano, Plutão fará uma Quadratura a Marte no Mapa do último Retorno de Saturno de Portugal.
Não parece pois, por todo este quadro que o Socialismo seja a próxima opção. Na última ronda foram os Jesuítas expulsos sob o argumento de dificultarem o desenvolvimento económico do País. Desta parece que o argumento recai sobre os Socialistas.
É sabido que sempre que Plutão actua, forças ocultas estão presentes - grupos ou sociedades secretas - de alguma forma envolvem-se nas lutas do poder. Após o 11 de Setembro (Plutão Oposição Saturno) foi evidente o envolvimento da AlQaeda. Nessa época Plutão em Sagitário estava no 2º Decanato - Regência de Marte. Era um tempo mais típico de guerrilha. No momento que escrevo este artigo, Plutão encontra-se no 3º Decanato - Regência do Sol e as três dias de passar a Directo. Tecnicamente dir-se-ia que está Estacionário. O que anteriormente era uma relação Plutão / Marte é agora uma relação Plutão /Sol, mais típica de transformações profundas de personalidade - entendendo-se também pelo Sol, o âmago do centro vital do poder - os governos. Por outras palavras poderíamos ainda dizer (aludindo à Quadratura, que ocorre em Portugal) que existe uma divergência entre o poder político (Sol) e o poder oculto (Plutão). Falar num poder oculto em Portugal, é obviamente falar da Maçonaria e se continuarmos nas associações históricas, é também sabido que o já referido Marquês de Pombal lhe estava tão ligado, que nos deixou por herança a evidência da simbólica que ainda hoje podemos observar no Terreiro do Paço e na Rua da Prata e do Ouro ou se quisermos - da Lua e do Sol.
Plutão está em Quadratura a Peixes - onde se encontra o Sol de Portugal (3º Decanato - Regência de Plutão). Peixes é Neptuno e Neptuno simbolicamente é o mar. Por isso Portugal na sua essência é um País de Navegantes. No passado (igualmente num ciclo de Plutão em Sagitário) Neptuno - Regente de Portugal e Júpiter Regente de Espanha, partiram mares fora à descoberta do novo mundo. Júpiter e Neptuno combinam-se duma forma que pode ser traduzida pela "ampliação do sonho". Então e nesse sonho de conquista Portugal e Espanha foram os senhores do mundo, mas acabaram por o dividir pelo Tratado das Tordesilhas. Na essência portuguesa Plutão está por detrás de Neptuno.
Por analogia e associação de momentos históricos, é de crer, que se neste momento a Maçonaria Portuguesa é um dos agentes activos ela está profundamente ligada com a Maçonaria Espanhola. É tão curioso que se olharmos a projecção do próximo Eclipse Solar - em 3 de Outubro, essa projecção passa pelo Norte de Portugal e pelo centro de Espanha, mais exactamente Madrid.
Dos potenciais candidatos às presidenciais tornava-se evidente o caso de Manuel Alegre que na sua Revolução Solar irá ter Júpiter atingido pelo Eclipse. Isso significaria uma exclusão da corrida. É exactamente no tempo de Plutão Estacionário, que Manuel Alegre tem um discurso apesar de não definitivo, auto-exclusivo não obstante deixar claro que de todo não concorda com a candidatura de Mário Soares. Entre outros argumentos - afirma não querer vir a ser acusado da fragmentação do partido.
Analisar isto é muito interessante sobretudo num momento em que Manuel Alegre, a sofrer uma Conjunção Plutão Júpiter está sedento de poder e protagonismo. Aparentemente afasta-se e diferencia-se, afirmando-se republicano. Duas facções num só partido - será que o mesmo se passa com a própria Maçonaria? Continuando a dividir: dois governos, dois socialismos, dois países, duas maçonarias! Afinal, nada de novo - numa lata abrangência de Plutão / Saturno - que também dividiu o mundo em dois - temos os grandes heróis do séc. XXI. O Sr. Bush é o exemplo mais claro - comandante em chefe - organizou exércitos para combater as "forças do mal". A lógica dedutiva leva-nos a que ele encabeça as "forças do bem". Ou será o grande paradigma de Plutão - e tudo o que parece, não é!
Fundado em 19 de Abril de 1973, por Mário Soares, o Partido Socialista fez desde essa época uma longa progressão do Sol, pelo Signo de Touro, apelando naturalmente ao significado daquele Signo: "força da união, valores seguros, reforma agrária, valores da terra" - parangonas que se identificam historicamente com as do Partido. Teve um discurso que alimentou o "sonho português" - (Mercúrio Trigono a Neptuno - Neptuno Regente de Portugal) e um papel reformista em relação ao anterior regime - (Mercúrio Oposição a Plutão). O facto de Neptuno estar em Sagitário no Mapa daquele Partido - e Sagitário é um Signo expansivo, dividiu a História do Partido em dois tempos: antes e depois da passagem de Plutão, por aquele Planeta o que aconteceu em 1998 - ano em que ocorria a Expo98. Da sua fundação e até 1998 cresceu o "sonho português" - de 1998 a 2005 cada vez mais eram aqueles que tinham percebido que aquele sonho, não era mais que uma utopia. Mas, só em 2005 o Sol deixou o Signo de Touro, para ingressar em Gémeos - o Signo típico das divisões, e por isso ainda houve força até agora para lutar numa tentativa que afinal numa perspectiva actualizada parece invertida ou seja os valores de Touro serviram para beneficiar todos, menos claramente, o País.
Manuel Alegre foi um arauto público que mostrou a transição (do Sol de Touro para Gémeos), que se tornou clara para todos nós, no mínimo era caso para se falar dos soaristas e dos outros. Que o Partido eleja no fundo Mário Soares a candidato presidencial - não deixa de ser uma homenagem "ao canto do cisne", mas depreender-se publicamente - palavras do próprio Manuel Alegre - que alguns socialistas estavam a ser vítimas de ameaças, por terem apoiado a sua candidatura, leva as coisas ao anti-democratismo, ou seja para lá de dividido o partido sofre agora de profundas contradições internas ao seu próprio ideal.
Uma homenagem "ao canto do cisne" ou uma tentativa de prolongar a agonia dum réquien anunciado? pela ameaça que um forte candidato mais à direita, pode apresentar ao próprio governo? ao governo e obviamente a um Partido que teria de ler numa derrota a Soares uma negação de apoio a uma história agora acabada. Não é pois de estranhar que José Sócrates se tenha apressado a apoiar Soares.
E não é de estranhar que por analogia e semelhança o próprio Partido Socialista e quem o apoia, integre a acção Plutão Quadratura ao Sol - que o próprio País atravessa e pelas Leis da Economia da Natureza - todos sofram a profunda transformação que o próprio Plutão preconiza.
Fernando Albuquerque, 2 de Setembro 2005