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Leis da Actualização Dinâmica

na Matriz Vivencial

Trabalho apresentado no VIII Congresso - Buenos Aires - 26/06/2004


Os Trânsitos de Plutão, marcam as experiências mais profundas da existência e cada vez que existe essa actualização, uma nova perspectiva emerge, que mesmo que não compreendida objectivamente, é vivenciada através de novas experiências em que o sujeito se vê compelido a integrar, porque a envolvência circunstancial, não o deixa de todo, ter qualquer hipótese de escapatória.

Por envolvência circunstancial, entende-se um conjunto de circunstâncias, aparentemente aleatórias (mas, que não o são de todo), porque se prova, que as mesmas fazem parte de uma actualização dinâmica, em curso ao longo do Processo Global do Trânsito.

Também se prova ser implícito nesse processo, uma segunda componente que está ligada à Lei da Semelhança, como iremos ver mais tarde.

Existe portanto uma directiva superior à vontade do sujeito, que vulgo se designa de "destino" - significando isso, experiências para lá da zona de controlo, da vontade objectiva. É relevante dizer, que existe uma coerência lógica nessa "directiva", o que traduzo pessoalmente, por "actualização dinâmica".

Genericamente a "actualização dinâmica duma matriz natal", deve ser vista como um processo evolutivo que sujeito a "Progressões e Trânsitos" ao longo da vida, modifica as perspectivas individuais, envolvendo o sujeito em experiências coerentes com o seu próprio processo e diferenciadas dos demais.

O maravilhoso desta fenomenologia, reside no facto de um só Sistema Solar conseguir estabelecer uma multiplicidade infinita de experiências diferentes em biliões de indivíduos, no mesmo espaço de tempo, em circunstâncias e lugares diferenciados. Essa possibilidade reside para lá dos elementos comumente considerados, de dois factores, que não deixam de ser corolários do que poderíamos chamar de Lei das Actualizações Dinâmicas:

Estágio de Evolução do Indivíduo

Evolução dinâmica da actual experiência, envolvendo por semelhança, as anteriores

Neste sentido a Lei das Actualizações Dinâmicas, poderia assim ser elaborada:

1. Todo o indivíduo passa ao longo da vida por processos de transformação, que têm em vista uma evolução específica, e depreendem-se estruturalmente da sua própria matriz de nascimento. Esse desdobramento estrutural da matriz de nascimento é exclusivamente determinista, porque temporal.

2. A existência de padrões específicos e de processos mais ou menos repetitivos que evocam a necessidade da compreensão dos mesmos, para que possam ser superados (envolvendo ou não experiências concretas), estão de alguma forma ligados ao livre arbítrio do indivíduo, funcionando agora como consequência.

3. Todos estes processos são indiferentes à vontade do indivíduo, estando por isso particularmente associados a Planetas Transaturninos que exercerão influência hierárquica sobre os Planetas Pessoais, não deixando de ter em vista a evolução específica daquele Mapa em particular.

Poder-se-ia definir a Lei das Actualizações Dinâmicas, por Lei das Actualizações Dinâmicas Involuntárias, ressalvando que existe uma Lei de Actualizações Dinâmicas Voluntárias, referida aos Planetas Ptolemaicos e onde o indivíduo actua voluntariamente no seu próprio modelo de actualização. Digamos que as primeiras são rectificadoras das segundas, que ambas funcionam em tempos determinados, sejam deterministas, mas que a sua actualização final, depende da liberdade de acção do indivíduo, ou seja do seu livre arbítrio.

Conclui-se do facto que existem dois modos distintos de actualização, diferindo os mesmos da vontade consciente ou da sua ausência, como ponto de partida. Logo aqui se identifica a Lei da Acção e da Reacção, ou seja do Karma.

Continuando o presente trabalho, sobre os Trânsitos de Plutão - esses fazem sempre parte das Actualizações Dinâmicas Involuntárias, sobretudo nos seus Aspectos de maior tensão - Conjunções, Quadraturas e Oposições.

Antes de abordarmos alguns exemplos sobre Mapas Individuais, passemos em revista a última Oposição Planetária de Plutão a Saturno, cujas datas referem a seguinte sequência: 05 Agosto 2001, 02 Novembro 2001 e 26 de Maio 2002.

Numa primeira análise e dentro duma perspectiva mundial, concluir-se-ia de imediato pela natureza da referida Oposição que estaríamos numa posição de confronto, mais ou menos violenta (dependendo essa violência do tipo de resistência oferecida) a Plutão, sobre as actuais (à época) estruturas acreditadas - Saturno.

Aprofundando um pouco mais a questão, Saturno encontrava-se no Signo de Gémeos e Plutão no Signo de Sagitário, quando dessa Aspectação Planetária.

Gémeos - evoca de algum modo o conflito dos opostos e Saturno nesse Signo, amplia a consciência desse conflito, mas só por si não exige acção propriamente dita (seja, a actualização dinâmica processa-se a nível de consciência, com graus maiores ou menores de dor - mas, onde pode haver resistência passiva e não mudança). Por seu lado a versatilidade de Mercúrio - Regente daquele Signo, pode apontar para soluções mais ou menos encapotadas e estratagemas que suportam, mas não vão ao fundo do conflito.

Neste preciso ponto de descrição e fundamentando a minha tese, gostaria de dizer algo sobre a Astrologia Védica, pois que ela trabalha essencialmente com os referidos Planetas Ptolemaicos, não levando em linha de conta as Actualizações Dinâmicas Involuntárias, mas ainda assim passando inevitavelmente por esses processos. Seja antes de descobrirmos Plutão ele já actuava, tal como as maças já caiam das árvores mesmo antes de Newton equacionar as Leis da Gravidade.

Como é sabido, a Índia é um país de milenares tradições religiosas e cuja organização social (penso que hoje em dia única), baseia-se em castas com rígidas regras no seu dia a dia - o que naturalmente reflecte uma organização saturnina - tal como a sua Astrologia, onde por influência de Saturno existe uma permanente ligação com o Karma, senão mesmo a modelos de sacrifício, que muitas vezes emergem em posteriores situações de revolta ou violência (Actualizações Dinâmicas Involuntárias).

Nos dias de hoje, os divórcios por exemplo têm um peso social difícil e por isso um casamento passará por muitos entraves para que possa ser dissolvido. Mas, olhemos uns anos para trás... era pratica na Índia (e apesar de raro isso às vezes ainda acontece) quando o homem morria, no momento da cremação - a mulher era atirada em vida para esse final, para que se encerra-se a história. Não tenho exemplos pessoais de mapas de mulheres que assim padeceram, mas não me custa a crer que esse seria o processo mais violento da actualização involuntária.

Que fique bem claro não estar a tomar partidarismos nem classificar modelos de Astrologia, até pelo meu mais profundo respeito pela Astrologia Védica, de quem sou um devoto pesquisador - que o exemplo reporte, exclusivamente ao argumento de uma ideia que suporte a explicação da por mim formulada da Lei das Actualizações Dinâmicas Involuntárias.

Falamos de Gémeos, voltemos agora a Sagitário - o Significador Universal da Lei e das Filosofias (no seu sentido mais amplo), que se vê influenciado pela presença de Plutão, agente metamorfósico e sempre ligado aos Mitos de morte e renascimento.

Se naturalmente existiu uma proposta de modificação profunda nas regras do "novo mundo", tal tornava-se mais visível desde 1995, altura em que Plutão entrava definitivamente em Sagitário e o mundo relaxava da tensão que fora anteriormente vivida sobre uma hipotética hecatombe nuclear, quando o conflito se focava, no eixo EUA - URSS.

A questão de fundo não estaria claramente nas consequências dum possível conflito dessa natureza, mas nas origens que poderiam levar o mundo a esse genocídio. E num mundo onde sempre houve dominadores e dominados (que sem pontos de equilíbrio e actualização - o levaria a um profundo desequilíbrio), tornava-se mais uma vez necessário e urgente tomar essa consciência, até porque Saturno completava à época um ciclo completo de experiência - o que implicaria um novo início.

Em 1996 Saturno transitaria por Carneiro, em 1998 por Touro, em 2001 por Gémeos e em 2004 por Caranguejo onde estabeleceria a primeira Quadratura de Signo, desde o novo início. Sequencialmente as temáticas (Carneiro) consciência de acção e domínio militar, (Touro) consciência da distribuição de recursos, (Gémeos) consciência dos conflitos existentes, (Caranguejo) consciência de segurança nacional. Este ultimo Signo reflecte nesta perspectiva um Efeito de Retorno da primeira Quadratura, e pelos problemas que tem levantado - leve-se em conta o que aconteceu em Madrid no passado dia 11 de Março (2004), leva a crer que o problema está longe de ter sido bem resolvido.

Neste sentido o 11 de Setembro (EUA) integra uma Actualização Dinâmica Involuntária da Oposição Plutão Saturno e o 11 de Março (Madrid) integra uma Actualização Dinâmica Involuntária de segundo nível, ou seja é uma clara consequência do envolvimento a que Aznar acedeu, quando da Cimeira dos Açores em 16 de Março 2003.

Quem agora quiser olhar para o Mapa da Cimeira (16:30 em Angra do Heroísmo), verá para lá de uma Horária de Guerra existiam três factores que no imediatismo da febril acção da Administração americana, não foram certamente ponderados:

1. Que Plutão em Trânsito faria entre Janeiro e Novembro de 2004 uma Quadratura a Mercúrio daquele Mapa - e que nessa precisa fase do tempo estariam em perigo de atentados os "amigos da coligação".

2. Plutão em 19º 56´ de Sagitário irá estabelecer uma Oposição em Trânsito com a posição de Saturno a 22º 36´ de Gémeos - o que acontecerá nos finais de 2004 - logo após as eleições americanas.

3. Finalmente que por 2006 Plutão entrará em Quadratura com o Sol, actualizando uma perspectiva completamente diferente para o problema.

Isento-me de conotações morais - Plutão (ultrapassa a nossa própria noção de moral). Repare-se no teor de algumas afirmações que se conectam com esta actualização, através de alguns personagens envolvidos no processo:

"Assim como assassinais, também sereis assassinados. Assim como bombardeais, vós sereis bombardeados". (Ossama bin Laden)

"Mesmo que não me vejam a sorrir, devem saber que estou realmente a sorrir, e a base deste sorriso é a minha felicidade acerca do caminho que escolhemos". (Saddam Hussein)

"Não nos sentimos tristes pela morte dos chamados civis. É legítimo que eles matem as nossas crianças, mulheres, velhos e homens no Afeganistão, Iraque, Palestina e Caxemira, e é ilegítimo que nós os matemos a eles?". (brigadas Abu Hafs al-Masri)

Independentemente da valorização e conotação moral que queiramos dar às frases transcritas, elas têm um ponto em comum - falam de Efeitos de Retorno, de Novos Caminhos e apesar de tudo da exigência de um novo Modelo de Respeito pela Vida Humana.

No fundo ao que mais reagimos - é à forma como tudo isto é feito, porque nos lembramos do 11 de Setembro e do 11 de Março. Mas, realmente quantos 11 de nenhures existiram por esse mundo fora, muito antes dos nossos 11?

Posso agora enunciar a 4ª Lei das Actualizações Dinâmicas Involuntárias:

4. Sempre que existe uma Aspectação Planetária, circunstâncias ou personagens por um efeito de sincronia (seja, tem a ver com os seus próprios mapas, o que se prova em Sinastrias), emergem para actuarem em conformidade com esses ditames. Deduz-se que existe um "efeito múltiplo" (tal como de um óvulo e espermatozóides se trata-se), de modo a garantir que "qualquer substituição é feita por uma circunstância ou personagem semelhante".

Assim por exemplo:

- Se o Mapa da Cimeira dos Açores, encerrava em si uma Oposição Saturno - Plutão.

- O Mapa do Iraque sofreu uma actualização de Plutão em Trânsito sobre Saturno.

A 5ª Lei das Actualizações Dinâmicas Involuntárias:

5. Num efeito global de "violadores e violados" ambos sofrem actualizações dinâmicas, adaptadas à sua própria realidade e evolução sendo que essa actualização dinâmica da experiência, envolve por semelhança as anteriores.

Nota: A Astrologia de Investigação, pode operar exactamente na metodologia do modelo em que a Investigação criminal o faz: se temos um crime e uma prova, não podemos associar o crime a um numero ilimitado de indivíduos, mas sim a um número restrito de suspeitos, sobre quem impendem as investigações. No caso da Astrologia, não podemos investigar sobre um número ilimitado de hipóteses, mas em círculo mais restrito de hipóteses ponderadas.

Quem é Plutão?

- Plutão dum ponto de vista psicológico, representa o inconsciente. Mesmo que se aceite um inconsciente colectivo, não deixam de existir registos de experiências que parece poderem provar-se não ter existido na vida actual.

À alguns anos tive uma jovem paciente que entrava em pânico paralisante sempre que ouvia o barulho de um avião. Não havia explicação sustentável nem experiências anteriores que evocassem esse temor. Foi realmente numa terapia regressiva, que se identificou "ter morrido" numa explosão de uma bomba lançada por um avião.

- Plutão representa uma espécie de "Ego Superior" versus o Sol que representa o "ego inferior". Mesmo que em Matriz Natal exista uma coordenância dessas duas vontades, existe sempre ao longo da vida Aspectos de Conjunção, Quadratura e Oposição, que fazem "actualizações dinâmicas" dos modelos de consciência. Isso implica que por mais elevada que seja a experiência evolutiva, o indivíduo passa sempre por esses processos, quer o vejamos em termos comuns, quer iniciáticos, o que apenas diferenciaria em grau mais ampliado, o nível de experiência.

A experiência que Jesus Cristo passou na cruz, é sem sombra de dúvidas plutónica, mas isso não implica que ao nível comum passemos por esse nível de experiência em Trânsitos plutónicos. Esotericamente associa-se a "Crucificação" à 4ª Iniciação Maior, tal como a "Ressurreição" à 5ª - aos Cristos. No entanto se olharmos para a História do Hinduísmo, Krishna também atingiu a 5ª Iniciação e não passou pela experiência da cruz. Mesmo a este nível, "crucificação" refere-se à estrutura, porque em termos de história ela pode ser vivida em níveis de dor semelhante, mas não da mesma forma. É a este fenómeno que traduzo por "semelhança vertical de experiência".

A ideia da "actualização dinâmica" está ligada a um "modelo de inteligência", não se referindo esta à inteligência do indivíduo, mas ainda assim interagindo com ela, resultando modelos de experiência diferentes de indivíduo para indivíduo. Quero com isto dizer que o processo não é aleatório, mas resultado de modelos evolutivos e experimentais dinâmicos, que ainda assim estão estritamente condicionados pelos modelos estruturais.

São particularmente activas as aspectações de Conjunção, Quadratura e Oposição, por qualquer Planeta. Os Aspectos referenciados são mais significativos sobre Planetas Pessoais em Astrologia Psicológica e sobre os Transaturninos em Astrologia Mundial.

Entende-se por actualização, a finalização dum processo. Por Actualização Dinâmica a do processo em curso. No caso de envolver fenómenos de Retrogradação, a actualização torna-se activa, logo após a primeira passagem em Directo (podendo mesmo considerar-se uma Órbita de aproximação, que varia de Planeta para Planeta).

O sujeito é Pessoal no caso de Mapas Individuais. É Colectivo no caso de Mapas referidos a Empresas, Governos, Países ou ao próprio Mundo.

Para Jeff Green em - "Plutão a jornada evolutiva da alma", Plutão está associado ao "intento" da alma em cada reencarnação, o que pode levar a associação do mesmo com o "Ego Superior", e o Sol como "ego inferior" ou vontade. Repare-se por exemplo nas actualizações de Plutão em Trânsito Quadratura ao Sol Natal, onde se podem diferenciar claramente os dois níveis de vontade em experiências subjectivas e objectivas.

Em determinada altura, tive oportunidade de conhecer um personagem cujo o quotidiano evocava alguém que vivia fora do seu tempo (parecia uma vivência do séc. XIX). Um indivíduo extremamente culto, inserido num mundo pessoal algo deslocado quer temporal, quer geograficamente. Processos activos de fuga, e com recusa de aceitação a uma actualização de realidade pessoal.

Começava nesse preciso tempo, uma Quadratura de Plutão ao seu Sol Natal. O meu discurso, de pouco ou nada serviu de momento, uma vez que a atenção de mudanças, foi por ele canalizada estritamente para questões profissionais - dum ponto de vista pessoal, achava ele que nada havia a mudar.

Dois anos mais tarde, de novo encontrei-me com tal personagem. As diferenças eram abismais. Tinha perdido cerca de 20 kg, deixado de beber e de fumar. Diariamente fazia exercício físico.

Aquilo que ele achava ser irredutível - posicionamento e filosofias pessoais, foi exactamente aquilo que se transformou profundamente. O que para ele significava motivo de atenção - carreira profissional, foi aquilo que se manteve num certo stand by, porque dois anos depois as questões eram as mesmas. A questão de fundo, é que a perspectiva pessoal que ele tinha, sofreu uma actualização de tal ordem, que agora é possível aceitar mudanças, com alguma tranquilidade - o que antes estava completamente fora de questão.

Este esquema de actualização, sempre me evoca a conhecida frase: "quando o discípulo está pronto, o mestre aparece". Na realidade as coisas só podem acontecer, quando estamos preparados para elas e mesmo que a vontade não seja dirigida nessa direcção, existe uma actualização orientada (pré-concebida), que levará o indivíduo a experimentar novas facetas da realidade - esse processo é determinista, porque estrutural.

O sofrimento, resulta sempre da expectativa e das deslocações temporais em que o indivíduo se posiciona. A "actualização dinâmica" leva-nos a não poder analisar situações passadas com os olhos de hoje, nem perspectivar futuras, porque as vivências futuras estarão inseridas em modelos de consciência diferentes, daqueles que hoje temos, devido à própria actualização no tempo. Por alguma razão vivemos no presente, como uma espécie de centro, cujo círculo evoca um passado e um futuro.

Quando iniciei este trabalho com maior ênfase a Plutão, não quis excluir a mesma mecânica de actuação para todos os outros Planetas, mas hierarquizar de alguma forma a sua actuação. Apesar de se tratar de um Trans - Saturnino ou Planeta Geracional, não deixa de ter uma influência profunda no processo evolutivo do individuo, parecendo que todos os outros respondem de uma forma subordinada, criando hierarquias sucessivas.

É curioso notar que a Astrologia Védica num sincretismo que não seria difícil de perceber a figura de Shiva, que faz parte da Trindade Hindu, tem uma ligação muito grande com Plutão. E na tradição, foi Shiva quem entregou a Astrologia ao Homem, através do Livro Vermelho ou Lal Kitab. No entanto a análise astrológica tradicional, apenas menciona Saturno.

Existe nesta dicotomia uma transcendência que evoca a hipótese do Senhor Shiva poder fazer actualizações por processos quase mágicos ligados aquele tipo de religiosidade. A diferença não é pois substancial, no resultado final com a única diferença que para a Astrologia Ocidental, o processo em si possa ser determinado temporalmente, mas não de todo na história em si.

Muitas vezes um misto de justificações que vão do Karma, à ignorância, à própria magia, tecem panorâmicas de difícil discernimento se não houver uma sólida percepção de uma visão tão alargada quanto possível. Na Mitologia Védica, Saturno está profundamente ligado com o Karma e este com uma espécie de magia circunstancial, que permite envolver o indivíduo em situações sem escapatória. Nesta perspectiva o próprio Shiva, responderia aos efeitos do Senhor Saturno e a prova disso, é que numa das suas histórias, quando chegou o momento desse encontro, os 7 ½, Shiva para que não fosse atingido mergulhou no Rio Yamuna, onde permaneceu em meditação todo esse tempo. Isto poderia ser uma prova de que deuses e homens, sofrem os efeitos da Astrologia, mas poderá ser ainda uma separação entre a acção mundo (Saturno) e a acção transcendente (Plutão). O homem responde em directo no seu plano de actuação físico e os deuses desceriam a esse plano para purificações kármicas. Tudo isto numa perspectiva dessa Astrologia.

O que me parece interessante reter e isso é para mim a conclusão de tudo o que escrevi em termos de Comentários desde 11 de Setembro 2001, é que independentemente da abordagem que fizermos, dos nomes que dermos existe de facto um "processo de actualização do próprio mundo", seja da experiência humana, e não sendo esse processo resultado de factores aleatórios nem da vontade específica do homem, só pode resultar de uma inteligência superior que tudo coordena.

O mundo (entenda-se o mundo circunstancial), responde aos nossos códigos internos, tal como o nosso estômago responde aos códigos que lhe enviamos através da mastigação. Quando mastigamos comida sólida, fazemo-lo de modo automático, porque o próprio acto de mastigar informa o estômago do início de um ciclo de actividade, e os sensores que temos na boca informa entre outros, da qualidade e temperatura. Quando bebemos algo líquido, água ou uma simples cerveja, podemos fazê-lo de forma um tanto mais inadvertida e a ingestão de algo gelado de forma súbita, poderá provocar uma caimbra no estômago. No entanto, se inicialmente mastigarmos esse líquido, o estômago fica informado e prepara-se para isso.

No mundo circunstancial, acontece algo semelhante, seja toda a realidade modifica-se consoante os nossos padrões internos (que funcionam como códigos de informação) e a resposta que o mundo nos dá (ou aquela que sintonizamos) é a que tem semelhança com os referidos padrões. É um pouco a ideia de "se eu estou triste, todo o mundo o está" ou "se eu estou triste, o mundo dá-me razões que justificam e sustentam a minha tristeza".

Neste sentido o mundo é literalmente aquilo que "eu acredito que ele seja", além de "ele me dar na medida do que eu estiver preparado", e fá-lo por semelhança de mim próprio, como se dum espelho se tratasse. Esta é a Lei da Semelhança. Reparem-se em alguns exemplos:

- Uma pessoa pára indecisa, sobre que decisão tomar. Há naturalmente nisso, um tempo de consciencialização e decisão. Se tal não ocorrer e a pessoa achar que o mundo lha vai dar, tal não acontece. Pelo contrário dá-lhe a sensação de tudo estar parado e de tudo estar a contribuir para essa indecisão. A verdade é que se a pessoa tomou consciência que está indecisa além de ter enviado esse código para o mundo circunstancial, passou a ter como verdade subjectiva a sua própria indecisão. O mundo, numa espécie de espelho, reflecte esse estado e por isso reflecte factores intermináveis que justificam essa indecisão ou não solução.

Se pela contrária, o mesmo indivíduo tomar uma decisão, qualquer seja, auto assume acção! Esse código informa o mundo circunstancial e por sua vez este reflecte-lhe movimento e a sustentação necessária para o seu caminho - numa forma de "actualização dinâmica".

- A namorada indecisa, só atrai namorados não assumidos. Todos estes processos evocam a 2ª Lei das Actualizações Dinâmicas e um dos seus Corolários:

- A evolução dinâmica da actual experiência, envolve por semelhança as anteriores.

É necessário discernir e não tentar enganar as Leis da Vida. Quando a "namorada indecisa", se decide por determinado parceiro, a solução (com que o mundo responde - seja, o parceiro que foi alvo da decisão dela), pode não responder de todo à solução de facto.

Se isso acontecer, é necessário investigar as motivações que estão subjacentes. É que ela pode ter encontrado uma solução que preenche algum tipo de padrão errado: por exemplo interesse económico, quando a experiência dela reflectia um padrão afectivo. A aparência do volte - face indecisão - decisão, não é por isso real, logo não funciona.

Facto é que pela Lei da Actualização Dinâmica, os seus próprios níveis de frustração e dor aumentam a cada experiência insistida em modelo errado. Acabará por concluir "ninguém gosta de mim". Esse código é reflectido e o mundo reenvia-lhe personagens que vão provar essa verdade, em experiência cada vez mais dolorosas. A única hipótese de inverter esta realidade é ela acreditar nela própria, aumentar os seus níveis de auto estima e amar-se a si própria. Isso significa um respeito e aceitação de si e do seu corpo. Se isso acontecer os códigos enviados de imediato reflectem essa nova verdade e os parceiros que atrai, tendo características semelhantes conseguem responder aos níveis espectáveis afectivamente.

O problema de fundo, que aqui se descreveu é que via de regra a procura do amor, reflecte apenas a ausência de amor por nós próprios.

Numa escala maior e numa outra temática, se o mundo (no sentido de nós todos) se prepara para a guerra do terrorismo, é óbvio que a vai ter. Tudo é na medida que acreditarmos que seja. Quando choramos os mortos de New York e de Madrid, esquecendo os do Afeganistão e do Iraque, criámos um código de "divisão do mundo".

A solução não será jamais as dos actuais concílios de paz! Essa é a falsa solução da "namorada interesseira". Voltemos aos princípios regentes da Revolução Francesa à 250 anos atrás: Igualdade, Liberdade, Fraternidade.

Igualdade não significa que sejamos todos iguais, porque nem os que se tomam por iguais o são! Igualdade significa uma equilibrada redistribuição de recursos, porque se aceitarmos que existe miséria no mundo, se aceitamos chorar por uns e não por outros, o mundo devolve nos miséria e divisões.

Liberdade não significa podermos matar, porque se o fizermos o mundo devolve nos mortes. Liberdade significa a aceitação, compreensão e actualização para que as Leis da Actualização Dinâmica Involuntária, não tenham do nos chamar a atenção de forma violenta.

Fraternidade não significa darmo-nos todos como irmãos e andarmos de mãos dadas em grandes manifestações de paz ou de pesamos. Fraternidade significa que vivemos todos na mesma casa e debaixo do mesmo tecto.

Essa casa é o mundo e se lhe permitirmos romper o tecto (pense-se por exemplo nos efeitos do ozono), então morreremos todos queimados. Se lhe destruirmos as águas, morremos à fome ou contaminados. Se lhe destruirmos o ar, morremos sufocados.

Parece um quadro apocalíptico e por ventura aproximamo-nos dele. É que a actualização de Plutão - Saturno, é uma derivada da Cruz Fixa de 1999. Em Agosto desse mesmo ano, ocorria o grande Eclipse Solar - não será esse o Livro, que ninguém podia olhar?

Tudo na vida é um efeito de causa e consequência. Tudo se transforma, nada se criando nem perdendo (Lei de Lavoisier) e essa transformação (Plutão nas Leis da Actualização Dinâmica) evoluiu por semelhança do seu par de contrários.

Se repetidamente actuarmos debaixo do mesmo padrão e isto é verdade para o mundo e para nós, ou seja se não aceitarmos as Leis da Actualização Dinâmica Voluntária (o que não deixa de estar ligado à problemática dos Nodos Nodais da Lua), sujeitamo-nos às Actualizações Dinâmicas Involuntárias (e nisso Plutão, tem sempre uma palavra a dizer).

Depois... o resto é connosco, embora que entre esse determinismo e livre arbítrio, as referidas Leis continuarão a criar novos modelos de actualização e assim sucessivamente.

Por consequência de tudo isto, o mundo é perfeito e responde por semelhança aos nossos níveis de perfeição ou imperfeição e até de evolução. Não temos que alterar nada, isso é uma utopia. Teremos isso sim que nos alterarmos a nós próprios e nessa medida o mundo altera-se. É tal como se sorrirmos para um espelho. O espelho devolve nos o sorriso.

Fernando Albuquerque, 28 Mar 2004

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