A análise deste Eclipse, iniciei-a com uma conhecida referência das Profecias de Nostradamus, que na Centúria X - Quadra LXXII (72), que refere especificamente "o sétimo mês do ano de 1999". É facto que a sua polémica obra tem sido ao longo dos séculos objecto das mais diversas tentativas de interpretação, mas também não deixa de ser verdade que muitas dessas interpretações carecerem, tal como as de outras fontes, duma grelha de apoio sistemático.
Pessoalmente considero, que essa grelha de apoio pode ser oferecida pela Astrologia. Nesse sentido e com uma visão mais ampla do que o mero conhecimento horoscopal, olhando-a mesmo como uma Cosmologia que sempre esteve presente e que de certo influenciou até os grandes "Livros Sagrados", encontrei os elementos que me levaram a esta análise, que agora exponho.
O mês de Julho de 1999, não reporta em si nenhum acontecimento significativo, nem do ponto de vista terreno, nem do ponto de vista cósmico. No entanto no mês seguinte, exactamente em 11 de Agosto de 1999, ocorreu um "Eclipse Solar Total", com algumas particularidades especiais.
A diferença de dias que ocorre entre a data anunciada por Nostradamus e aquele formidável acontecimento cósmico, não tem a ver com um erro de cálculo mas, sim com as conversões que se estabeleceram entre o Calendário Juliano daquela época e o Gregoriano, que hoje utilizamos.
Podíamos perguntarmo-nos como é que numa altura em que todos estes complexos cálculos eram elaborados manualmente, teria Nostradamus feito uma projecção temporal tão grande, para assim chegar com exactidão a um fenómeno que reporta já os finais do século XX? A resposta é simples, naquela época já era sobejamente conhecido o Ciclo de Saros - conhecido desde a antiga Babilónia, onde nasceram algumas das Profecias relatadas na Bíblia, e que permitia determinar com exactidão a sequência dos Eclipses Solares e Lunares, sempre tão importantes para a Astrologia Antiga.
Os Eclipses repetem-se numa frequência de 18 anos e 11,33 dias. O eclipse de Agosto de 1999 que entrou no número 145 do Ciclo de Saros, teve a sua origem em 04 de Janeiro de 1639, no Grau 13 de Capricórnio. Desde essa altura até 11 de Agosto de 1999 ocorreu 21 vezes.
Como Nostradamus não nos deixou informação específica sobre a suas técnicas, não podemos ter certezas absolutas, mas se como é muitas vezes mencionado o seu trabalho é resultado de "vidência" é no mínimo estranho que na quadra que nos sugere um acontecimento especial - "Do céu chegará um Rei de Terror", faça menção específica ao Planeta Marte. Pela mesma ordem de ideias as "Profecias Bíblicas" estão geralmente referidas a "Visões", embora que aqui e além, citem clara ou veladamente Signos ou expressões astrológicas. Não deixa contudo de ser matéria especulativa. No entanto o nascimento de Jesus reporta a uma Conjunção Planetária, mas que é camuflada com a expressão Estrela de Belém. JHS (Conjunção Júpiter / Saturno) ou Júpiter / Hermes / Saturno.
Esta pode ser uma pista muito curiosa, porque naquele específico Eclipse vamos voltar a ter uma Conjunção Progredida de Júpiter / Saturno e enquadrado num tempo que se pode intitular de "Julgamento do Mundo", como veremos.
Dos Planetas conhecidos à época, os chamados Planetas Ptolemaicos, exceptuando Vénus, encontravam-se todos dentro dos Signos que tecnicamente têm uma característica que se designa de Fixa. Astrologicamente falamos em Triplicidades e em Quadriplicidades. As primeiras têm a ver com os Elementos, Fogo, Terra, Ar e Água. As Quadriplicidades com as características, conhecidas por Cardinais, Fixas e Mutáveis.
Sempre que ocorre uma Quadriplicidade, vamos encontrar Planetas em todos os Elementos conhecidos. Neste específico Eclipse de Agosto de 1999, que ocorreu no dia 11, tínhamos a Vénus fora dum Signo Fixo, mas como estava em Movimento Retrógrado, cindo dias após este evento, reingressou ao Signo de Leão, Signo onde tinha ocorrido o Eclipse Solar.
Esses cinco dias, foram o tempo que a Lua demorou a transitar entre o Grau 18 do Signo de Leão e a fazer o seu Ingresso no Signo de Escorpião (também ele de característica Fixa). O momento desse Ingresso tem uma importância extrema, dum ponto de vista astrológico, porque é nesse preciso momento do tempo, que se formou a Cruz Fixa Cósmica.
Estavam então ligados entre si, os Signos de Touro, Leão, Escorpião e Aquário.
Em si este fenómeno é de extrema raridade, mas ele podia estar a apontar uma outra referência, proveniente do Sonho de Ezequiel, "e a semelhança dos seus rostos era como o rosto de homem; e à mão direita todos os quatro tinham rosto de leão, e à mão esquerda todos os quatro tinham rosto de boi; e também tinham os quatro o rosto de águia".
Aqui surgiram as primeiras questões. Não há dúvida que esta Quadriplicidade (homem, leão, boi e águia) podia muito bem fazer equivaler o Touro ou boi, o Leão ao leão, o Escorpião à águia e o Aquário ao homem, mas se nos debruçar-mos sobre as Profecias de Daniel, onde ele próprio teve a visão de um leão com asas de águia, o que nos faz reformular aquela equivalência.
Pela simbologia, poder-se-ia aceitar que a águia é a única que consegue olhar o Sol de frente. Nessa perspectiva seria mais lógico admitir, uma vez que o Sol é o Regente de Leão e como o Signo Oposto é Aquário, que a águia representasse o Signo de Aquário, no Sonho de Ezequiel. Esta questão do Leão com asas ou Leão alado, sugere pela integração dos dois elementos (leão e águia) os (Signos de Leão - Aquário) ou mais exactamente o Eixo Leão - Aquário.
Se voltarmos ao Eclipse ele ocorreu exactamente no Signo de Leão, que segundo podemos verificar na Doutrina Secreta de Helena Blavatsky, ela própria faz equivaler o Signo de Leão ao Reino de Judá. Como é do conhecimento geral, muitos investigadores da Teologia, consideram que o Sonho de Ezequiel é uma das fontes do Apocalipse de S. João, e nesse mesmo texto vamos encontrar na "Abertura do Livro dos Sete Selos" ou início do Apocalipse, algo que ninguém poderia olhar nem alterar e que se passaria exactamente no Reino de Judá.
Como proposta académica, podemos pois admitir que a importância que Nostradamus encontrou naquele Eclipse, tivesse muito a ver com uma referência temporal ao Apocalipse de S. João.
Se assim for, teríamos uma clara referência temporal - seja, à do ano de 1999, como início dum processo, que como se viu encontra perfeita equivalência com eventos cósmicos, corroborados por análise astrológica e detectado por Nostradamus.
Acresce-me agora referenciar dois aspectos curiosos, presentes quer no Mapa do Eclipse, quer no da Cruz Fixa. No Signo de Aquário (como vimos de característica Fixa), encontram-se dois Planetas que não eram conhecidos na época de Nostradamus (Século XVI) - Os Planetas, Urano e Neptuno.
São exactamente esses Planetas dum ponto de vista da Precessão dos Equinócios, que hoje nos referimos como os Regentes da Era de Peixes (Neptuno) e da Era de Aquário (Urano). Nessa altura o Signo de Peixes era Regido por Júpiter, o que não deixa de fornecer como veremos uma indicação sobre o final do processo, embora que de cariz Saturnino - uma vez que Saturno era o Regente de Aquário. Essa visão poderia ser bem mais limitativa e sugestiva duma transição de Eras, de certo modo castrante. - Aqui pode referir-se a Mitologia, recordando-se que Saturno engolia os seus filhos à nascença. Naquele momento o sobrevivente e já adulto Júpiter (seu filho) iria confrontar-se com Saturno (seu pai). E essa seria a visão seiscentista do Apocalipse.
Júpiter e Saturno que se encontravam no Signo de Touro, distanciavam-se de 12º. Como existe uma técnica astrológica chamada de Progressão Simbólica e que se pode traduzir na relação 1º = 1 ano, teríamos uma nova indicação somando (12 a 1999, o que daria o ano de 2011. Facto é que Nostradamus se limitou a referenciar uma data de início (1999) e não de fim (até aqui, supostamente 2011). De qualquer modo e para Nostradamus estes seriam já dois (dos quatro cavaleiros do Apocalipse) Júpiter e Saturno. Os outros dois seriam (o Touro ou a Vénus, sua Regente) e o Marte a quem especificamente refere ainda naquela Quadra.
Uma vez que Júpiter no Plano Mundo também está ligado aos Papas, essa Conjunção Progredida de Júpiter Saturno, pode ter a ver com as Profecias de S. Malaquias relativa ao Vaticano.
Mas, há mais um curiosíssimo dado, que pode ter estado no raciocínio de Nostradamus. Falamos à pouco que reportando ao Nascimento de Jesus e na Bíblia descrita como "Estrela de Belém" esteve presente uma Conjunção Planetária de Júpiter e Saturno. Também sabemos que ligado a esse Avatar esteve a Era de Peixes, que agora termina - a acreditar pelas contas feitas a partir do Mapa do Eclipse em 1999 + 12 = 2011, ao voltar-se a realizar de forma progredida a partir daquele tempo a nova conjunção. Este facto não deixa de estar relacionado igualmente com a expressão "Virei Julgar os vivos e os mortos", o que grosso modo tema a ver com o período 2009-2010 - Julgamento do Mundo, como demonstrarei nas Cartas do Taro.
Os dois Planetas Modernos (Urano e Aquário) encontravam-se à data do Eclipse distanciados entre si, de 12º. Como existe uma técnica astrológica chamada de Progressão Simbólica e que se pode traduzir na relação 1º = 1 ano, teríamos uma nova indicação somando 12 a 1999, o que daria o ano de 2011.
Voltando agora aos Planetas que se encontravam em Aquário, podemos verificar uma outra curiosidade é que com o desenrolar do tempo eles iriam entrar no que se chama uma Mútua Recepção, isto é cada um deles em simultâneo estará na Casa do outro.
Assim Neptuno entrou definitivamente em Aquário em finais de Novembro de 1998 e só voltará a Casa (ou ao seu próprio Signo) em 02 de Fevereiro de 2012. Por sua vez Urano andará na Casa de Neptuno entre Março de 2003 e Março de 2011, período este que especifica a referenciada Mútua Recepção.
Dum ponto de vista astrológico este Time Line entre finais de 1998 e 2012, faria todo o sentido que correspondesse a um período de transição entre a Era de Peixes e a Era de Aquário e é simultaneamente o período de tempo em que uma grande maioria das Profecias de forma implícita ou explicita, nos indica.
Analisemos agora as Profecias de S. Malaquias. Até à data coincidentes com a sucessão dos Papas e a manterem-se verdadeiras, estaríamos com Bento XVI, com o penúltimo dos Papas. A análise astrológica de Ratzinger, não abona num extenso pontificado, pelo contrário aponta os finais de 2008 ou 2009 para um novo e porventura último enclave da Igreja de Pedro. A nota que S. Malaquias nos deixou sobre esse novo Papa, é que ele encontrará "as ovelhas de Cristo já em grandes tribulações". Por esta ordem de ideias o ultimo Papa, terminaria a sua acção em 2011.
Observando o Mapa de Joseph Ratzinger:
O seu pontificado é iniciado em 19 de Abril de 2005, momento em que Plutão transita o Meio do Céu do seu Mapa. Ponto esse que se refere à expressão máxima da sua carreira eclesiástica, porque também representa o ponto mais elevado, ou o Meio-Dia, dum Mapa Astrológico. Nesse momento Plutão em Trânsito fazia, em simultâneo, um Trigono Crescente com Neptuno e um outro Trigono Decrescente com o Sol de Bento XVI. Essa configuração astrológica designa-se de Grande Trigono. Por ter envolvido o Sol, que representa a sintetização da vida humana, e Neptuno - ao qual podemos dar, neste caso particular, uma conotação espiritual - representa na vida de Joseph Ratzinger, a expressão máxima do poder temporal ou espiritual mundano, na perspectiva cristã.
Esse mesmo Plutão em Trânsito, Senhor do Poder - dispensador simbólico da vida e da morte, é neste Mapa o Regente da Casa VIII - o que tem um significado idêntico, e em 19 de Abril de 2005, Plutão fazia em simultâneo uma Quadratura - (o que é traduzível por tensão ou divergência) - com o Ascendente (ponto esse que também representa a sua figura física) e com Júpiter (que simbolicamente representa o legislador ou a legislação, deste seu pontificado).
Poder-se-ia extrapolar que no percurso desta "investidura eclesiástica", submetida a temáticas essencialmente plutónicas, uma vez que foi simbolicamente Plutão que a permitiu, então veja, não só a sua integridade física poder ser ameaçada, como ser bastante polémico ou gerador de grandes tensões, o conteúdo doutrinário das suas "cartas e encíclicas".
Repare-se que logo no primeiro momento do seu exercício, pôs em confronto "de bom e de mau" a Oppus Dei e a Maçonaria, referindo-se a esta, como obra do diabo.
Esse poder plutónico ou plutocracia de que está investido, num momento de natureza tão impar como a dos dias de hoje, ainda submetidos pela última Oposição planetária de Plutão com Saturno, dar-nos-ia campo para as mais diversas extrapolações e conjecturas até no domínio político. Mas, por agora, possuímos outro objectivo que é o de determinar a possível extensão no tempo do seu pontificado.
Em 2008 Plutão fará uma Conjunção com os seus Nodos Lunares Sul, também conhecidos pela Cauda do Dragão. Esse momento pode transmutar o Karma (visto aqui, como uma relação de passado - passado até de vidas). Em simultâneo, Urano transitará o seu Ascendente e Júpiter (dois pontos que estavam em tensão com o mesmo Plutão que lhe deu esse poder temporal). Urano é um libertador o que, por associação, poderia fazer supor que esse momento o libertasse do compromisso a que Plutão o obrigou, e transmutasse o nível do seu próprio Karma ou talvez "exigência".
Acresce, ainda, a este quadro previsional astrológico que, também, nos finais desse mesmo ano de 2008, Neptuno em Trânsito se irá opor ao seu Neptuno Natal e que Júpiter entrará em Quadratura com o seu Sol. Qualquer destes Aspectos, isoladamente, pode levar-nos a múltiplas considerações. Mas na sua trama sincrética faz-me supor que nessa mesma época - finais de 2008 ou inícios de 2009 - assistiremos a um novo conclave que, a acreditar em S. Malaquias, será o último e encontrará a humanidade em grandes provações.
CONTINUA...